Às vezes o governo passa a
impressão de que deseja levar tudo às últimas inconsequências. Foi lançado no
Planalto o programa ‘Mais Médicos’. Além da importação de médicos, que já havia
sido anunciada com antecedência, a iniciativa inclui uma novidade até então
ignorada: a partir de janeiro de 2015, alunos de medicina serão obrigados a
trabalhar dois anos no SUS. Sob pena de ficarem sem o diploma. O curso passa
dos atuais seis anos para oito anos.
Reza a Constituição brasileira
que todos são iguais perante a lei. Assim, cabe perguntar: por que só os
médicos? Por que não obrigar os estudantes de psicologia, de odontologia e até
de veterinária a suar a camisa pelo governo por dois anos? Por que não
direcionar a rapaziada da engenharia para as obras públicas? Invertendo-se a
lógica oficial, pode-se indagar também: por que não seduzir os jovens médicos
oferecendo-lhes salários convidativos e condições de trabalho decentes no SUS?
O programa de Dilma Rousseff
foi baixado por medida provisória. Significa dizer que entra em vigor
imediatamente. Mas terá de ser aprovado pelo Congresso. A OAB e entidades
médicas apressam-se em dizer que é inconstitucional a exigir dos estudantes que
trabalhem no SUS. Considerando-se as divisões observadas no condomínio
governista, não são negligenciáveis as chances de o Congresso modificar a
proposta de Dilma.
Fonte: Blog do Josias de Sousa

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